domingo, 25 de janeiro de 2009

Discurso de paraninfo da formatura dos cursos de Jornalismo, Publicidade e Propaganda e Relações Publicas - 2008/2 da faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da UFRGS.

24 de janeiro de 2009

Sras. e Srs presentes, pais, parentes, amigos e simpatizantes
Queridos alunos, Sr. Diretor, Professores, Funcionários
Primeiramente gostaria de dividir com vocês que fiquei curioso (quando convidado) com o sentido original da palavra paraninfo.
E para tal ...
Elevei meu pensamento e invoquei São Google, dei "enter" e ...
Do latím: paraninphu, que veio do grego "paraninphus", formado de - para (junto de), mais - nymphe (noiva).
Desde a Grécia, passando por Roma, era quem protegia o noivo ou a noiva.
O Paraninfo (ou paraninfa) tinha muitas incumbências, entre elas:
Examinar e endossar a pureza da noiva;
Preparar o casamento e o quarto dos noivos (convites, decoração da igreja, festa, bolo, salgadinhos, cortinas, cama, lençol, travesseiros, urinol, etc...) - atributos, popularmente destinados aos Relações Públicas.
Era também incumbência ...
Dormir no quarto ao lado na noite nupcial, para assegurar pronto atendimento no caso de ameaça à integridade física da noiva.
Depois da lua-de-mel, o trabalho continuava:
Contornar eventuais desavenças entre marido e mulher no convívio conjugal.
Ou seja ... ser paraninfo era uma encrenca!
Hoje - Uma Honra - pelo menos pra mim.
Dentre algumas das atuais incumbências, está o discurso.
Particularmente acho discursos muito longos, até chatos, mesmo os mais eloqüentes.
Neste momento, atendendo àqueles que pensam como eu, serei o mais direto possível.
Para cumprir a promessa de ser pontual, vou dividir esta fala em três pontos.
E antes de começar, uma alerta que é baseado num ditado Tolteca, que em síntese diz:
"Não acreditem em nada, mas prestem muita atenção".
o 1º ponto é de ordem pessoal (e peço que me desculpem), se refere à importância que esta instituição tem na minha vida:
Em 1955, inicia-se a minha relação com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul, nessa época não federalizada.
Nesse ano, meu pai Roberto Fabián, arquiteto e urbanista, foi convidado a desenvolver um pós-graduação em urbanismo para a então Faculdade de Arquitetura da URGS. Nessa época moravamos em Buenos Aires e eu tinha dois anos.
Em 1956 viemos de muda para Porto Alegre com toda a família.
Em 1964, minha primogênita irmã Marta, ingressa - via vestibular manuscrito - no curso de Biologia da URGS, onde atualmente é professora associada.
Meu irmão Enrique, em 1968, é aprovado no vestibular de Medicina, também desta casa.
Não cabia nos paradigmas da minha família, a possibilidade de ingressar em algum curso superior que não fosse na URGS.
E dessa forma, na sequência, em 1974 fui aprovado no vestibular para Comunicação Social da Universidade Federal do Rio Grande do Sul - nossa querida Fabico.
Era tão única a opção pela UFRGS que, quando voltei pra casa com a notícia, correndo para contar ao meu pai, (ele estava sentado, lendo um livro e eu entrei orgulhoso, radiante, vitorioso ... anunciando em voz, anunciando em voz alta meu feito) olhou-me por sobre os óculos e num tom de pouca surpresa perguntou: Fizeste vestibular pra rodar?
Em outras palavras me fez perceber que não havia feito nada que não minha obrigação.
Então, um pouco menos inflado, iniciei minha aventura acadêmica tentando entender que curso era esse que eu havia escolhido.
Nessa época eu já me bancava financeiramente trabalhando como fotografo e não foi difícil me identificar com Jornalismo e Publicidade.
Depois de passar pela RBS e Martins&Andrade, fui trabalhar, como fotografo, no Gabinete do então Reitor Homero Só Jobim - pelas mãos da professora, orientadora e amiga Martha Alves de Azevedo e no início de 1977 tornei-me funcionário federal. No fim desse mesmo ano me formei. Não com tanta pompa e cerimônia como vocês, pois distraidamente esquecí de vir a formatura.
Se cabe a um paraninfo dar conselhos, ai vai um:
Nunca digam nunca. Explico ...
Fiz meu curso no tempo estipulado - 4 anos.
E jurei pra mim mesmo que nunca mais voltaria lá.
No entanto ... nunca mais saí.
Em 1978 torne-me professor de foto do Colégio de Aplicação e nos anos seguintes, iniciei minha trajetória didática dentro da Fabico.
Talvez saia neste ano, aposentado.
Obrigado UFRGS, obrigado a todos que me ajudaram e me atrapalharam.
O 2º ponto se refere à nossa missão como comunicadores:
Inicialmente, cabe frisar que comunicação não é fim, e sim meio.
A comunicação é o principal meio de relacionamento e nós temos expertise em relacionamento.
O mundo muda rápido e por caminhos imprevisíveis.
As previsões do filosofo e educador canadense Herbert Marshall McLuhan, que proclamavam a "Aldeia Global" já no inicio dos anos 60 - se cumpriram em parte - o deixaria perplexo, saber que podemos ter uma indústria administrada em São Paulo, com parque fabríl na China, estrutura de logística sediada em Londres, os produtos consumidos na Austrália e na África e o "Din-Din" depositado numa âgencia do Banrisul em Anta Gorda.
De lá pra cá aprendemos a "deletar" amores, "adicionar" amigos, fazer "upgrade" nos conhecimentos, dar e receber "feedbacks", "resetar" processos que engasgam, dar um "Format C" em processos que não deram certo ou dar um "Control-Alt-Del" quando as coisas andam meio travadas ....
Essas mudanças nunca são totalmente digeridas e cabe - a nos "Comunicadores" catalizar esses processos.
Cabe-nos mais...
Cabe-nos olhar para o futuro - e identificar tendências
Cabe-nos exceder nossos limites de entendimento.
Cabe-nos, a todo o momento, quebrar paradigmas
Cabe-nos aprender a julgar menos e entender mais.
Cabe-nos, entender - sempre e nunca esquecer, - que somos pessoas trabalhando para aproximar pessoas.
Cabe-nos ter uma vida digna e prospera, pois lutamos pela dignidade e prosperidade, em todos os níveis que se estende a vida.
Assim como o arquiteto é pautado pelo ambiente e sua luz, nos comunicadores, somos pautados pelas dificuldades humanas de relacionamento. Criamos ambientes e circunstâncias onde a luz circula e a energia entre as pessoas flui.
Infelizmente as instituições de ensino superior e técnico se transformaram em fábricas de desempregados. Não orientamos os alunos a serem empreendedores. Não ensinamos, num cacoete cristão, como ganhar dinheiro. Os professores não falam em orçamentos e valores reais, ... talvez por que não saibam fazê-lo.
Cabe a vocês não ter medo nem culpa de ganhar dinheiro.
E isso, me remete para o 3º ponto, que se refere a nossa missão como seres humanos:
Vou destacar 3 dos muitos pontos que incidem ...
A Qualidade de Vida - que começa pela possibilidade de deitar a cabeça no travesseiro e dormir.
É fala desta casa "O Comportamento Ético" e as demais virtudes humanas.
O inferno é individual, é o contraste entre o que sabemos e o que praticamos.
Valendo-me de referencias bibliográficas: "Bem aventurados os pobres de espírito, deles será o reino do céu" - isso se refere aos ignorantes e incautos, desprovidos de culpa pela falta de conhecimento e referencia.
Vocês - meus queridos - não fazem parte dessa categoria. Vocês sabem - e não existe o "dissaber" assim como, também, não existe essa palavra.
2º aspecto - O amor próprio - Não esqueçam que vocês são seus clientes nº 1 - E se vocês não cuidarem de vocês mesmos, com carinho, atenção e determinação, não terão nenhuma utilidade para quem quer que seja.
Isso não é filosofia ou a pregação de algum iluminado. Isso é ciência. Engenharia de Segurança - e poderão constatar em qualquer vôo doméstico ou internacional, enquanto saboreiam uma deliciosa barra de cereais: "Em caso de despressurização - máscaras iguais a esta cairão a sua frete. Puxem para liberar o ar e blá-blá-blá" e assim por diante e ai ... "caso haja uma criança ou pessoa idosa, coloque primeiramente a máscara e você e depois ajude" ... ou coisa similar.
Preparam-se. Capacitem-se para serem úteis. Amem-se.
Dessa forma o 3º e último aspecto se refere ao poder do amor.
Nova onda nos fala de Net-work. Trata-se de uma rede poderosa de relacionamentos com a finalidade 1ª de oportunizar negócios. Business. " Your job!"
Uma vez uma colega de trabalho, me criticou dizendo: Pablo tu misturas as coisas - trabalho é trabalho - amizade é amizade e amor é amor.
Num impulso impensado, como se meu coração respondesse uníssono com a minha mente - respondi: Não sou eu que misturo, tu és quem separa - é junto - é gente - somos integrais.
E creio que foi nesse momento que eu tive o insight da Net Love - Maior que a Net Work - Net Love. Rede de relacionamentos sinceros, verdadeiros onde a própria Net Work tem seus transitos facilitados.
Se não me engano, os únicos profissionais que falam em algo parecido são os advogados. Eles chamam de affectus societatis e se refere aos motivos (não tangíveis) que incidem nas sociedades e parcerias.
Tem um dito popular, que ao meu entender, peca na interpretação da essência humana:
"Onde se ganha o pão, não se come a carne"
Como acadêmico, sou obrigado a discordar e me agarrar às estatísticas:
75% dos relacionamentos iniciam em ambiente de trabalho ou escolar.
Aliás, não poderia ser diferente, passamos a maior parte do tempo trabalhando ou estudando.
Minha 1ª esposa é dentista e a conheci graças à ditadura militar que não permitia que a Fabico tivesse bar ou qualquer outro lugar de reunião, o que nos obrigava a frequentar o bar da Odonto. Bingo - casei.
A 2ª é Relações Públicas e foi minha aluna na Fabico.
Minha atual companheira é Engenheira Química formada pela PUC - resolvi experimentar outra instituição - esse pessoal da UFRGS se separa muito.
Somos energia e como tal nos relacionamos.
A energia de um sorriso, atrai sorrisos, a energia da indiferença atrai indiferença. Colhemos o que plantamos.
Acreditem que vocês merecem - e construa um futuro próspero e saudável.
O xamã Don Juan, segundo Carlos Castañeda (autor que teve destaque nos anos 70 e 80),
define o medo como o 1º inimigo do homem. Apenas o primeiro de muitos - e muito mais perigosos. Portanto meus amados - já - colegas comunicadores, se sucumbirem ao medo estarão fadados a uma existência medíocre. Não sejam médios.
Já ouviram falar o Alexandre, o Médio?
Tenho certeza que não, esse não entrou para a história.
Não tenham medo
Não tenham medo do mar - tenham cuidado
Não tenham medo de dirigir - tenham prudência
Não tenham medo de ganhar dinheiro - tenham projetos de vida
Não tenham medo de errar - aprendam
Não tenham medo da solidão - amem
Não tenham medo das pessoas - se relacionem
Não tenham medo dos opostos - se associem
Não tenham medo de morrer - vivam com toda a intensidade
Não se acomodem com a dor
Não se acostumem com o insucesso
Briguem, Lutem e Comemorem
Obrigado por me convidarem para ser o Dindo de vocês!
Adorei - Contem sempre comigo ... Boa sorte ... Amo vocês.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Papai Noel existe
reflexão natalina - 24 de dezembro de 2008

Foto: Pablo Fabián - Auto retrato - 1975

Pela primeira vez na minha vida, paro pra fazer uma reflexão natalina.
Na realidade não senti
, nunca, a necessidade de fazê-la.
Desde pequeno o Papai Noel Coca-Cola não convencia.
Era só uma festa com bônus de presentes, gentilezas, comidas gostosas e poucas regras.
Todos faziam um grande esforço para serem felizes e o resultado acabava sendo bom.
Por mais que Santa Cläus aparecesse travestido de garrafa de refrigerante, o resultado positivo nos fazia acreditar que "Deus escreve certo por linhas tortas".
Ou seja: (pensava) Papai Noel existe! - (de um jeito ou de outro).
O tempo de desacretidar nessa alegoria é por volta dos cinco anos de idade, mas eu acabei questionando aos meus cinqüenta e cinco.
A dúvida que me perturba é se eu parei de acreditar nele ou ele em mim.
Com o passar do tempo, o tempo passou.
Minha mãe, articuladora e provedora, aos seus 86 anos, mesmo sem jogar a toalha, precisa ser provida e está desarticulada. A noite de 24 de dezembro é, pra ela, mais uma noite que acaba às 20 horas. Isso a impossibilita de participar de uma atividade que, normalmente, se desenvolve noite a dentro.
Ou seja: alguém ficará com ela na noite dos dingo-béis.
Achei de bom tom, que seja eu.
Meu amado filho, parceiro e amigo se encontra numa jornada aventuresca em terras australiana (o que pra mim é fruto de admiração com uma pitada de tristeza - egoísta minha - por não poder - nesta noite - abraça-lo e presenteá-lo com uma bugiganga qualquer em torno de um esquizofrênico pinheiro nevado a mais de 30ºC).
Frente a essas circunstâncias entendi que o melhor para minha filha-parceirinha, é que passe as atividades natalinas com a mãe (e sua família) onde gozará com primos, avós, tios numa típica imagem festiva e confraternizadora.
Juro do fundo d'alma que isso ainda me revolve os sentidos. Mas é uma opção, ao meu entender, necessária.
Realmente decidir não é escolher, é abrir mão.
Dessa forma dou apoio a minha, super apoiadora, irmã fazer uma prolongação festiva junto à família de seu marido (amado e querido).
Meu irmão, em terras ibéricas, brindará com sua esposa e prole e tentaremos, como sempre fazemos nessas datas, telefonar-nos driblando as linhas congestionadas.
Este ano eu cheguei a duvidar da existência do bom velhinho.
Ao mesmo tempo, não paro de escutar um hô-hô-hô distante, que me sugere que estou ganhando de presente, algo que ninguém poderia me dar: A oportunidade divina de ser o guardião do sono daquela que fez de tudo pra que eu acreditasse.
Feliz Natal pra todos e se encontrarem o Papai Noel entrando pela chaminé, porta ou janela, acreditem que é a concretização do desejo que temos de viver em paz, com amor e harmonia.
Dia 25 almoçaremos em família.
Dingo-bel !

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Fim de Ano
relações com o ano novo - 31 de dezembro de 1991

foto: Pablo Fabián - 2008
Sai do cano
Um sofrimento plano
De uniforme insano
Nas gotas, reflexos passados
Vem o ano
O funil luminoso que encanta
Vem o ano
E ainda do cano
De sofrimento insano
Vemos nas gotas
Os reflexos dos sonhos que ainda não sonhamos.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

RELEITURA
...num cantinho escuro da minha oficina - janeiro de 2008

foto: Joe Kerber - 2008
Intensos nossos meses
Meses de quebra
De abertura a novos planos
À construção incessante
Da relação que não para de acontecer
De morrer
De renascer
De fortalecer
Meses de sobra
Nos laços
Da fartura hedonista
Do visitante luminoso
Do calor
Caribenha Caeté
Meses de luta
Na revisão silenciosa
Da avaliação criteriosa
Da iluminação dos recantos sombrios
Dos últimos conflitos

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Carnaval do Apocalipsis
...é o 2012 chegando, minha gente... – julho 2008

foto: Pablo Fabián - 2003

Estou preparando o carnaval das almas
Que se dará depois do furacão


20 bilhões é o contingente
Deste planeta em ebulição
Os destinos já estão desenhados
Que vão da luz até a escuridão


Estou preparando o carnaval das almas
Que se dará depois do furacão


Alguns de nos, já convocados
Pela leveza de seu coração
Outros ainda dormem acordados
Fazendo disso uma confusão


Estou preparando o carnaval das almas
Que se dará depois do furacão


Os nossos mestres bem aventurados
Estão aqui para nos dar a mão
Em muitas naves muito iluminadas
Nos levarão à 4ª dimensão


Estou preparando o carnaval das almas
Que se dará depois do furacão


Mas tem aqueles karmatizados
Fazendo sempre muita poluição
Serão levados pra outro lado
Perdendo a nave da evolução


Estou preparando o carnaval das almas
Que se dará depois do furacão


Mente serena é o que se precisa
E muita luz de amor no coração
Respire fundo, ame a vontade
E venha junto cantar este refrão


Estou preparando o carnaval das almas
Que se dará depois do furacão

domingo, 25 de maio de 2008

Aurorecer
do clarear aos cantos escusos – 12 de maio de 2002

foto: Pablo Fabián - 2006

Vejo ganhos, vejo intrusos,
Nos projetos que proclamo,
Vejo custos, vejo enganos,
Nos momentos mais profundos.

Faço contas, conto os fundos,
Olho em volta e vejo o dia,
Me reporto ao passado,
Com profunda miopia.

Me aventuro em pensamentos,
Faço planos em segredo,
Reflito o cotidiano,
Com gosto amargo de medo.

Do horizonte o Sol me aquece,
Nesta visão matinal,
Hoje é manhã de Domingo,
E parece tudo igual.

Como crio a diferença?
Como construo um viver?
Talvez me falte paciência,
Ou eu não saiba morrer.

Busco força nas estrelas,
E tento me convencer,
Que olhando pela janela,
Não faço acontecer.

Oh, preguiça de vida,
Mas que medo de viver,
É como se vivendo,

Tivesse algo a perder.

O retrato está sem foco,
E a frase não tem fim,
Pra concluir esta estrofe,
Tem que vir algo de mim.

É silêncio e todos dormem,
Só o galo acordou,
Pra lembrar às pessoas,
Que a vida não acabou

sexta-feira, 16 de maio de 2008

O Nome da Fome
o buraco na alma – 16 de novembro de 2002

foto: Pablo Fabián - 2008
A liturgia recai sobre os nomes de poucas pessoas.
Já, hibridamente falando, esperaremos, safos, os efeitos do holocausto.

E, todos os dias, quando o planeta explode, retomamos o cotidiano de fazer tudo outra vez.

E dessa forma se repetem nomes de renome em pessoas de um mesmo nome. Duas vezes o mesmo nome, bi-nome, binômio, Pinóquio ou Bin Laden.

Brasileiro santo em seu nome.

Homem santo que não come.

Brasileiro de renome

Homem santo com fome.

Santo da fome

Guisado de santo com adornos de esperança

Homem santo criança

Herança sábia das zonas escuras

Santa herança e sua clausura

Arrogante e assustado

Meio sábio, meio infante

Um sorriso intolerante

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Sem Nome
relembrante – 22 de abril de 2006


foto: Pablo Fabián - 2002

Que coisa...as idéias se cruzam e perturbativamente produzem clichês marqueteiros para dar, solenemente, o “start” do processo.
Frases prontas e na real eu queria contar um pouco da minha história.
Desde cedo me desvencilhei do peso do jogo.
Eu não sabia que não era para perceber.
Eu percebia. Jogava o jogo.
A burla aos valores em poses hipócritas.

domingo, 4 de maio de 2008

Casulo Insolente
retreta da vida - 26 de abril de 2008

foto e arte: Carlos Fabián - 2008

A vida não é cadeira
A vida é pra caminhar
Se não tens aonde ir
Levanta para dançar

A vida só é legal
Quando se torna iniciática
Prazer também é bom
De forma bem homeopática

terça-feira, 22 de abril de 2008

O último dos Europeucos

nem sempre o retribúrcio reguardía a bancada – 28 de agosto de 2004

atitude reflexiva momento brando – 31 de agosto de 2004

Lá, bem embaixo de nossos desapegos
Escondido entre as nossas doenças
Está o caramujo...a ostra
E mais ostra...
Uma atrás da ostra...
A lúgubre repousada solfeja, alerta, suas virtudes
A noite penteia certa ao som da nostalgia
Vitimas do ocaso
Pregadores de discórdia
Fugazes ao vento
Soltas odisséias

Regurgitam lembranças mórbidas
Gozos de um futuro num passado sóbrio.


estratagema vibrante e paradoxal – 01 de setembro de 2004

Às vésperas do comemorativo
O impulso
A avaliação do cansaço
O lucro diluído na dor muscular
O sono escasso
A noite mal dormida
O ano que passou

relação direta com a verdade – 01 de setembro de 2004

Às vésperas do comemorativo
O gozo
O calculo vitorioso
A expectativa superada
O dormir sem culpa

A preocupação e o ano adquirido

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

etc…e tal...
referencia – 19 de fevereiro de 2008

foto: Enrique Fabián - 2008

Axioma frugal
Fugiu pra Natal
Não viu Carnaval
Soltou-se total
Geléia geral
Um banho de sal
O sonho integral
O bem e o mal
Conflito legal
Conceito formal
Visão oriental
A dor visceral
Doidera normal
Momento genial
Ruptura mental
Estado fatal
Caminho ideal

Assim como tal

terça-feira, 27 de novembro de 2007

O incontestável
paz na alma – 1º de outubro de 2006 – 1 hora da manhã

foto: Pablo Fabián - 1974

Dear Lady Jane
Acabei de te deixar em casa materna e retornar para este sobrado, ora aconchegante, ora instigante, ora assombrado.
Como sempre, transitas em minha mente com toda a liberdade.
O cheiro constante de tua presença, em mim, faz com que as dores que suportamos se dissipem e ocupem o pequeno espaço que a elas é destinado.
Foi um lindo fim-de-semana. Daqueles que sabemos curtir.
No fogo cruzado dos trabalhos, encontramos um equilíbrio que
nos desiguala dos demais, nos faz cada vez mais ímpares e, dessa forma, cada vez mais unidos.
Essa união que incomoda e emociona que nos permite, apaixonadamente, viver sem diferenciar, ódios e extases. Viver desconfortavelmente um amor sublime que nos desafia a entendê-lo.
Engasgados em nossos filtros paradigmáticos, tentamos inutilmente fazer-nos caber em modelos preconcebidos. Nossas mascaras libertárias são descortinadas, desestruturadamente, por pequenos “inimigos” sombrios que nos ameçam com ciúmes infantís e sonhos cinderelescos.
Que maravilhosos somos, que ridículos.
Que linda essa oportunidade que nos foi dada.
Que grato sou, por te ter em meu caminho.
Te ver em mim em cada gesto, em cada rusga, na defesa inconcebível de discursos sem nexo. Penso que não nos consumamos, unicamente, pelo medo que temos de que isso aconteça.
Sabemos que isso mudará radicalmente nossas vidas, nossos planos, além de destruir para sempre velhos padrões que usamos como muletas.
Hoje, pela primeira vez tive medo do tempo por achar que o estivessemos perdendo. Porém, percebí que estamos mergulhados numa relação que não para de acontecer. Talvés mais instigante e intensa do que qualquer outra que tenhamos tido. Por mais que subverta nossos planos, provoque inquietudes e nos faça querer mante-la escondida dos demais, ela se sobrepõe e ocupa, plena, os espaços que permitimos.
As vezes transborda.
Obrigado por tudo.
Um beijo na alma.

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Rusgas de um só dia
gunga-din-don-doca – de 1990


foto: Pablo Fabián – arte: Roberto Fabián - 1975

Deus distante de um povo exuberante e guerreiro
Ricos
Miseráveis de um luxo efêmero e nauseabundo
Marimbondo
Ladrão milenar
Filho pródigo de um deus solteiro

Sapateiro ou engraxate

Da reza ao texto
do texto à reza – 18 de junho de 1998


foto: Pablo Fabián - 1975

A respeito deste texto
Muito sei do que mereço
Sem desrespeito à regra
Me supero pelo avesso
Me atrevo com respeito
Dou noticia, faço prece
Rezo com ces, com cedilhas
Ponho esse, duplo esse
Ponho letra
Faço prece
Ouço isso como um canto
Santo tango gregoriano
Vivo num tempo cigano
Onde o presente é passado
De adjetivados sujeitos
Comungam, indiretos, substantivos
Relutantes prefácios e pleonasmos viciosos
Sou repleto quando rezo.

domingo, 11 de novembro de 2007

Deuses e demônios
...sob o pó das estrelas... – 1987


foto: Pablo Fabián - 1979

Nos recantos cansados, estes
Onde repousam deuses-demônios
Existe, num deles, caído
Escondido sob o pó das tristezas
Um objeto de ouro brilhante
Encravado de esperanças
Colhidas do chão em caminhos
Onde os que foram, não voltaram.
Encontre essa jóia preciosa
E liberte seus deuses-demônios
Antes que eles te levem
A perder as esperanças
E partir sem consciência
Por esses caminhos tão claros
Que levam a terras escuras.

sábado, 10 de novembro de 2007

Retreta
invitación – 14 de dezembro de 2003


foto: Pablo Fabián - 1977

Rumbo romano, radiano extendido
Siglo cortado, sangrado, sufrido

Pido cuidado y sigo perdido
Soy capataz hermano alarido

Tacho rechazo remiendo el costado
Quemada paleta de asado venado
Luces de tierra, luces de mar
Días de suerte, días de azar

Quiero serpientes de muchos colores
Son mis zapatos rotundos amores
Vuelven sonrisas de muchos dolores
Sueña un recuerdo de todos sabores

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Santo Cotidiano
segunda semana
– 13 de janeiro de 1988

foto: Pablo Fabián - 1991

Atividade, esta, neurótica.
Santo cotidiano,
Demência plena de cegueira fosca
,
Rumos obscuros de manutenção de um nada,

Nada, este, cheio de loucura.

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Chorei de rir

gastura – 1980

foto: Pablo Fabián - 1997

Chorei de tanto rir
Rir de me lembrar

Que ri pra não chorar

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Juntamos, jantamos e jogamos
day after – 02 de novembro de 2007

foto: Fernanda Fabián - 2006

Os núcleos reunidos
Juntos, diluídos
Em clãs vestidos
Soberbos estilos

Berinjelas recheadas
Cuscús Islâmico
Tomates, cogumelos
E vinho branco

Anfitriã morena de sorriso cansado
Tumulto alegre

Amor bandido

Silencio da noite
Sexo Sentido

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Medo do Mar
Netuno oposição Vênus e Ascendente – 1º de novembro de 2003

foto: Pablo Fabián - 2007

Medo do mar
Medo do ar
Do vento
Do tempo

Medo ao relento
Deixado a contento
Guardado em fermento
Relapso momento

Medo profundo
Lembrança que afunda
Medida imprecisa
Imagem turva

Medo do nada
Frio enfadonho
Lembrança difícil
Recado do sonho

Medo da perda
Perda de nada
Nada no mar
Mar de lembranças

Medo de hoje
Sal do passado
Tempo esquecido
Abandonado

Medo do medo
Astro em quadrado

Filtra o futuro

Deforma o passado

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Minha amante
...medo de perder-te... – 1986

foto: Pablo Alejandro Fabián - 1974

Do recanto ao canto,
Teu canto reticente,
Teu encanto borbulhante.

A luz que se apodera de minh’alma,
Vem, retruca e até acalma,
O borbulhar de minha euforia incandescente.

Entranha em minha mente,
O medo de teu relutante vacilo,
O medo do vazio que me acompanha
Doente, constante, demente.

A justiça de teus olhos,
Peca cega, fugitiva, indecisa,
Teus lábios beijam rubros,
Momentos de silêncio,

O medo mórbido de tua retirada.

Os gabinetes silenciosos
tinta verde -
inverno de 1977

foto: Pablo Fabián - 1974

As pirâmides frias e pacientes
Repousam seus olhos nas areias escaldantes
As miragens se confundem
A realidade é árida
O espaço é o tempo
O silêncio dos detalhes é reduzido pelas sombras
Seus desejos e medos soam cristalinos entre um vento e outro
Sobram os que amam
Os que desejam
Os que só enxergam o que existe
Uns sorriem,

Outros são tristes.

domingo, 21 de outubro de 2007

Santo das trevas
súplica – novembro de 1986


foto: Pablo Fabián - 1988

Consciência, esta, que retratas, todos os dias.
Carismático ser de asas negras,
Epidêmico sentido,
Devastador de almas,
Guardião da rebeldia.

Ao dia claro vacilas
Sucumbes com a noite
O amanhecer do dia

Teus reflexos são estrelas
Teus movimentos dominam

Iluminado ser da noite,
Carismático ser de asas negras,
Asmodeu será teu guia?

Dor, esta, a que não sucumbes
E te ilumina a rebeldia,
Santo das trevas

É Deus que te guia.

O ego nosso de cada
regurgitar do trovão – verão de 1984

foto: Daniel de Andrade - 1992

Meu ego pedaço, meu laço com a vida,
Meu ego verdade, talvez sucumbida,
Meu ego inflado é quem me sufoca,
Deixado de lado é dor é derrota.

Reviso meu lastro, meu resto de vida,
Retrato de vida, passada, vivida,
Meu resto meu trapo, meu laço sufoca,
Inflado meu lastro, meu ego é derrota.

Laçando o pedaço, inflando o retrato,
Passando a derrota na ponta do laço,
Deixado de lado meu ego inflado,

Meu rastro, meu laço, derrota é vida
.


sábado, 20 de outubro de 2007

O tempo do tempo
...lúcidos alucinógenos... década de 80


foto: Marco Quintana - 2007

Existem momentos, que são
Maiores que dias ou até meses.
A gente acorda na janela
E a luz nos sai dos olhos,
Como fachos de felicidade.
Existem dias que a gente nem acorda
E depois, nem vai dormir.

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

A forma do tempo
...lúcidos e disformes... – 1986




foto: Pablo Fabián - 1978

“O demônio fugiu da forma. Sacrificou-se tanto que, quase, voltou ao céu canonizado. Pobre demônio perdido em seu pecado”.

O cubo em si era incomodo.
Jogou-se numa pirâmide de lata,

Mas o barulho da lua o fazia chorar.

Quem resistiria ao incrível poder de sedução deste coiote?

A cratera clara em seu peito sangrava as carências do passado.

Quanto tempo havia passado?

Quantos lados tinha esse tempo?

Em quantos tantos de tempo sorria o que estava enterrado?