domingo, 10 de abril de 2011

O JOGO

foto: Pablo Fabián - 2011
existe ganhar

mas não existe real valor nos ganhos
as vezes existe mais valor no que se ganha com a perda

é um jogo que possibilita o grande exercício
se focamos apenas no jogo, podemos trapacear e ganhar
se focamos no exercício não há trapaça

ganhamos até com a perda
pois fizemos o exercício
o jogo requer personagens
mas são só personagens
conforme o jogo avança e surgem novas etapas de exercício

devemos nos livrar desses velhos personagens
para dar espaço a novos e contextualizados articuladores
não existem compromissos kármicos com esse ou aquele

isso também faz parte do exercício,
é parte do jogo

apenas sem medo de perder tudo (tudo mesmo)
podemos nos habilitar para ganhar tudo
com medo de perder algo, nos habilitamos a ganhar, apenas, algo

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Milagres de São Miguel

São Miguel dos Milagres - 13 de novembro de 2010
foto: Pablo Fabián

A gente procura
Se aventura
Aprende com a vida
Mas só .. apenas .. unicamente
Quando se cessa a procura ..
A vida acontece

sábado, 7 de agosto de 2010

Pai Saturno

ad referendum – 28 de junho de 1982


Seu pai, seu Mestre Saturno
Sua vez, sua hora, seu turno
Seu terno cinza, gravata listrada
Seu olhar seguro, cabeleira agitada
Sua cabeça se abria
E de dentro,
Em revoada, saiam milhões de pássaros
Em admirável toada.
Eu os via brancos como símbolos da paz
E ao partirem, a paz levavam
O que nos resta?
Ah! Pai da casa dez
Projeta na casa onze teu desejo
Para que, com o que almejo
Possa obter um futuro
Futuro forte, seguro
Para que eu possa no escuro
Dessa casa que se segue
Lembrar das lembranças que enterrei no medo.
Olhava pro céu como que num canto lógico
Mirava-se nas estrelas e outros astros
O enfoque imaturo se voltou astrológico
A carência nativa, jogou-me no abismo
Abismo sem fim, sem fundo, sem mundo
Abismo interior das dores da casa doze
Monstro sentado a sua porta, abalando sua pose
Monstro da “um” sentado na “doze”.
Dias de “quatro”, dias de “dez”
Dias de “seis”, de “sete” e de “oito”
Olhava pra lua, como que a um biscoito
E nela a mãe, a amante, o coito.
Olhava o futuro e só via o passado
Passado pisado sem muita atenção
Deixava um rastro noturno
Onde ecoava a voz de seu pai
O Mestre Saturno

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Um café por favor .. sem açúcar .. puro ..

foto: Pablo Fabián 2010

Já encontrei, muitas vezes, respostas na alimentação.
Lendo a História da Loucura do Michel Foucault me deparei com um verbete de rodapé de um tal James.R de uma publicação de 1748 que se chama Dictionnaire Universel de Médicine ...
"A mania origina-se geralmente da melancolia, a melancolia das afecções hipocondríacas e as afecções hipocondríacas dos sucos impuros e viciados que circulam languidamente nos intestinos...”.
Completa Foucault ... “Mas a tarefa principal consiste em dissolver todas as fermentações que, formadas no corpo, determinam a loucura. Para tanto, os amargos vêm em primeiro lugar. O amargor tem todas as virtudes da água do mar; purifica enquanto desgasta, exerce sua corrosão sobre tudo aquilo que o mal pôde depositar de inútil, de malsão e impuro no corpo e na alma. Amargo e forte, o café é útil para as pessoas cujos humores mal circulam; ele resseca sem queimar - pois é próprio dos corpos dessa espécie dissipar as umidades supérfluas sem provocar um calor perigoso; tanto no café como no fogo sem chama existe um poder de purificação que não calcina. O café reduz a impureza”.


Santo Café, em parceiria!?

O quão louco e desajustado seria se não o bebêsse tão voluptuosamente.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Receita de Escondidinho

Isa Bonorino me pediu via Facebook essa receita - ai vai

a foto eu tirei do Google para ilustar
www.curitibanoprato.com.br/.../escondidinho.JPG
Escondidinho.
Cozinhar um quilo e meio de aipim (só com água) até ficar bem macia, (coloca o sal depois quando estiver quase pronto). Com o aipim cozido ainda quente, retira os fios internos e, aos poucos, coloca um pouco da água do cozimento (tem gente que gosta de bater num processador ou no liquidificador - sou mais um garfo) até formar uma pasta grossa. Leva de volta ao fogo com 3 a 4 colheres de sopa de manteiga (manteiga de verdade por favor), até obter um purê. Deixa descansando abafadinho.
Paralelamente ...
Cozinha a carne de sol (já desalgada - 4 a 5 horas na água - trocando a água de hora em hora) cortada em pedaços pequenos durante uma hora numa panela de ferro (se não tiver carne de sol da pra fazer com charque - engana bem). Espera esfriar e desfia a carne. Refoga a carne de sol (ou charque) desfiado com meio quilo de cebolas cortadas em pedaços grandes e uns 6 a 10 dentes de alho picados (eu gosto com pedaços grandes) e tempera com a pimenta a gosto. Não deixa ela ficar muito seca. Em um refratário coloca uma camada com metade do purê, coloca carne por cima e cobre com o restante do purê de aipim - Dando aquele astral de pastelão da vó. Polvilha com o queijo ralado e leva ao forno até dourar. Bom Apetite.

terça-feira, 30 de março de 2010

Irmandade Cósmica

foto: Mario André Coelho de Souza - 1972
A primeira vez que eu escutei que a humanidade evoluí em ondas e que as pessoas reencarnam em grupo foi por volta de meus 17 anos.
Existia em minha casa paterna uma leitura sagrada do cosmos e não uma visão meramente cartesiana ou dogmático-religiosa. Longe disso.

Pelo foto de eu ser muito sociável e agregador, tive oportunidade de conhecer muita gente. Alguns passaram e outros, mesmo sem uma constante no meu dia-a-dia, ficaram para sempre.
Eu percebia que, com algumas pessoas, as relações tinham cara de reencontro e com outras não. Era estranho, pra mim, que algumas relações eram fluídas, limpas e rapidamente estávamos construindo algo juntos.
Comentei isso com minha mãe e ela me disse que ao longo da nossa vida vamos nos reconectando com nosso grupo espiritual e, dessa forma, retomando as atividades de crescimento espiritual que nos era pertinente.
Ao ouvi-la tive a certeza de que se me desvendava uma grande verdade. Acredito nela até hoje.
No início dos anos setenta eu me relacionava com um grupo muito especial, pessoas de idades diferentes, com vivências diferentes, porém com valores muito semelhantes. Todos brindavam o grupo com algum tipo de sabedoria e, com certeza, crescemos muito nesse período.

Os mais significativos (pelo menos pra mim) ainda se contatam de tanto em tanto e sabemos um o paradeiro do outro.
Um desses irmãos cósmicos é o Dedéco - Mário André Coelho de Souza. Passamos longos períodos juntos e outros, igualmente longos sem ter notícias um do outro (embora soubéssemos, mesmo que vagamente o que o outro estava passando e fazendo). Difícil de explicar.
Por uma dessas maravilhas dos tempos modernos Dedéco me achou no orkut e retomamos um contato que espero se faça permanente (a gente sempre quer isso - mas cada um tem um caminho ou escolheu um caminho para trilhar).
Outro dia ele me mandou uma foto de 1972 obtida por ele. Nela está Pedro Pires e eu quando tentávamos fazer um table-top para contar a história do Rádio no qual o personagem era o inventor - Padre Landel de Moura.

segunda-feira, 29 de março de 2010

“Account Planning: today’s concerns, tomorrow’s dangers, and planning myopia”

foto e arte Carlos Fabián - 2009
trechos de um e-mail que mandei para Laerte Martins e Lucio Pacheco - 26 de agosto de 2009
Particularmente, sofri bastante quando o "Planejamento Estratégico" virou um passaporte de ingresso para programas de desenvolvimento e equalização mercadológica global. Falo dos Programas de Qualidade, as certificações ISO, QS, etc.. De repente o Planejamento Estratégico virou um item pré-requisito para o start dessas atividades (isso começou aqui prá nós por volta da metade dos anos 80, que é quando foi escrito um excelente artigo de John Bartle - “Account Planning: today’s concerns, tomorrow’s dangers, and planning myopia”. ).

Eu percebi que, como profissional focado em qualificação de relacionamento, perdia espaço para os tecno-cientistas das artes engenherescas, onde Balance Store Cards, CPPDs, CRM e outras ferramentas "mágicas" de diagnóstico e gestão, dessa forma, fui atras de parcerias que me suprissem os hiatos de conhecimento. Aprendi muito, mas não me convenci totalmente, até porque essas ferramentas não mudavam o comportamento, e sim a gestão. As empresas estavam num caminho não diferente do tayloriano e a produção massiva de produtos e serviços era o foco da questão. O bem estar das pessoas e a vocação "espiritual" dos dirigentes não tinha a menor importância. Business, business, business.
Mesmo assim, segui trilhando um caminho que acreditava e antes de perguntar (num Planejamento Estratégico): Que empresa precisamos ter para ser os "donos da cocada"? - perguntava: Que empresa precisamos ter para sermos felizes? Isso automaticamente nos levava a uma reflexão de cunho mais universal onde o desejo e necessidades dos indivíduos (players) tinha peso.
Para isso o caminho da criatividade e inovação era indispensável. E dessa forma eu estava no meu chão.
Brigávamos com a miopia e provocávamos mudanças estruturais, antes de mais nada, no comportamental.
Nunca desisti desse caminho, por mais que tenha perdido bons e excelentes clientes para "engenheiros associados" portadores de uma caixa de ferramentas das mais complexas.
No texto que citei, Ulisses e Bartle evidenciam um certo medo referente ao futuro desse segmento. Concordo com eles, esse segmento focado em um apêndice da gestão só serviu para criar vínculos de dependência das instituições com "as agencias" e não tem trazido grandes diferenciais.
O diferencial está nas pessoas e não necessariamente nos processos e tecnologias.
Não pretendo fazer uma ode a idade da pedra, mas sim trazer um mix onde a tecnologia esta sob medida para o sucesso do sonho de cada instituição em consonância com o desenvolvimento dos indivíduos que compõem a tripulação dessa nau.
Acho portanto que estamos voltando a real, onde as empresas só existem por que existem pessoas.
Não se faz Planejamento Estratégico de nenhuma organização sem, em paralelo, fazer o Planejamento Pessoal dos dirigentes - isso se chama coaching. É como venho trabalhando nestes últimos anos. Tento ajudar os dirigentes a não entrarem numa sinuca de bico e se transformarem e empregados de si mesmos ou reféns de um sonho empresarial.

nada de novo no front
Pablo Alejandro Fabián

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Discurso de paraninfo da formatura dos cursos de Jornalismo, Publicidade e Propaganda e Relações Públicas - 2009/2 da faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da UFRGS.

31 de janeiro de 2010

Antes de mais nada, meu profundo agradecimento e prazer de estar aqui, na frente de vocês, tendo mais esta oportunidade de dizer-lhes o que penso.

Um ano atrás estive aqui anunciando que me aposentaria .. pois bem - esse é o fato - estou indo.

Diferentemente de vocês precisei de 36 anos para me formar ... sair da Fabico onde ingressei em 1974 via vestibular.

Amadas alunas, amados alunos, respectivas mães, pais, irmãs e irmãos, parentes e amigos.

Caro amigo Ricardo Schneiders - Diretor da Fabico

Professores, funcionários e curiosos.

Mesmo que desejassem - estar neste momento, na beira da praia, na piscina ou no conforto de seus ares condicionados - estão presentes.

Muito agradecido ...

Por algum motivo, aqui estão.

- pelo amor à algum destes entunicados que inicia mais uma etapa de sua vida ...

- pelo cumprimento do dever ...

- por uma obrigação familiar ...

- por uma obrigação social ...

- por laços afetivos ...

- pelo simples gosto pela pompa e solenidade ... ou ... por outros tantos motivos ...

Eu - estou aqui a convite e isso muito me honra.

Talvez, este convite, traduza um reconhecimento, uma gratidão ou a retribuição por alguma coisa ...

Eu prefiro acreditar que estamos ingressando na grande Net-Love e, dessa forma, na categoria dos amores imortais.

Hoje .. não há necessidade de bater na tecla do compromisso ético com o profissional, social, político e humano.

Já falamos muito disso.

Vou dedicar minhas atenções a um único tema que, entendo, ser da maior importância e relevância.

Trata da loucura

Em determinado momento, para fazermos parte do seleto e árido clube dos adultos, abandonamos a intuição.

Buscamos a supremacia da razão ...

Ouvíamos de nossos orientadores, nossos mestres compulsórios, nossos pais: "Isso é coisa de criança"

Não queríamos mais ter os limites das crianças, queríamos sim fazer parte daqueles papos enfadonhos, que mesmo sem entende-los achávamos que deveriam ser o máximo.

Sabotamos de vez nossa intuição e passamos a acreditar que os sentidos humanos são apenas cinco.

Alguns, mais rebeldes e sensíveis, para sobreviver tornaram-se artistas.

E mesmo assim ... muitos não sobreviveram ...

Sucumbiram à dúvida, foram rechaçados, banidos, expurgados, queimados em fogueiras, crucificados, esquartejados .. barrados no baile - marginalizados.

Outros tantos - muitos mesmo - se massificaram na tentativa de serem socialmente viáveis.

Perderam o contato direto com sua loucura substancial.

Abriram mão da identidade essencial.

Sem nos darmos conta ...

- Ajustamos nossos corpos aos ditames da moda que, ora nos faz gordos, ora nos faz baixos, ora altos ou muito magros.

- Ajustamos nosso paladar aos ditames dos nutricionistas que - ora condenam o ovo - ora o proclamam.

- Ajustamos nossos amores à moça ou rapaz de boa família, de posses, com futuro ...

- Ajustamos nossas amizades a círculos de interesse ...

Nos ajustamos .... queremos ser aceitos e amados.

Nascemos e vivemos num planeta minúsculo que chamamos de Terra.

Esse planeta apresenta, em sua superfície, mais água do que terra, mas mesmo assim o chamamos de Terra.

Este planeta - a Terra - tem suas regras e possibilidades – as que chamamos de leis da natureza.

São leis complexas determinadas pelo grau de densidade da matéria manifesta, somadas a total dependência do equilíbrio do sistema Solar, intimamente dependente do comportamento da Via Láctea que se mantém em consonância com as "Leis do Universo".

Chamamos a galáxia de Via Láctea porque somos mamíferos e temos o leite como uma fonte sublime de alimento.

Fazemos isso porque entendemos que somos a raça que domina a tecnologia, as artes, as guerras e pretensamente (há controvérsias) gerenciamos os recursos naturais.

Pela prática desse gerenciamento, nos damos o direito de alterar e, por vezes, acabar com fontes naturais, escravizar animais para nosso próprio sustento e deleite, reivindicar a posse da terra e sentir-nos mais importantes de que tudo.

Isso pode parecer loucura. E é.

O que acontece é que, essa forma de acreditar, constitui a razão humana - ou seja - a loucura oficial.

Essa loucura, baseada num esquizofrênico entendimento de supremacia, quando ameaçada - combate até a morte qualquer forma de pensar que a desestabilize.

Cartéis religiosos, econômicos e políticos se ergueram dessa forma e lutam para garantir a manutenção dessa lucrativa mediocridade.

Nos meus 57 anos de vida tive a oportunidade de ser chamado de louco - muita vezes.

E aprendi que é "loucura" - tentar provar o contrário.

Dessa forma tratei de ser um louco de respeito .. acho que não consegui.

Se é difícil para a humanidade aceitar diferenças básicas como etnias, crenças, valores, religiões, formas de buscar prazer ..

Por que - eu - conseguiria tamanha proeza?

Quanto menos consciência, mais individuais são as verdades e mais individualista é a humanidade.

Verdade ou mentira dependem - sempre, do poder do mentiroso.

E para preservar a "verdade" - mentimos, enganamos, escondemos fatos e manipulamos.

No intuito de nos preservarem e protegerem, nossos pais mentiram pra nós e os pais deles fizeram a mesma coisa e assim por diante.

Tenho certeza de que entendem porque chamo isso de esquizofrênico.

O dinheiro dos bancos é dos clientes.

Os bancos são ricos sempre.

Os clientes nem sempre.

Na maior parte das vezes não.

E se discordamos dessa dinâmica desastrosa, perderemos pseudo-regalias e poderemos ser encaminhados para um manicômio.

"O tema manicômio é um capitulo a parte e aconselho que leiam a "História da Loucura" de Michel Foucault."

A humanidade evolui em massa, quem puxa, porém, são aqueles que ousam, inovam, arriscam, se aventuram e muitos desses desaparecem ou entram para a história como desajustados.

Pactuamos com a avaliação de critérios globais, muitos destes, absurdos e promovem a dor e o sofrimento.

Em compensação o sofrimento e a dor são premiados.

Tememos o amor e a felicidade.

Até porque - ao nos ajustar com os ditames da loucura oficial entendemos não sermos merecedores.

Estamos experimentado, conforme anunciado, a saída da era de Peixes e o ingresso na era de Aquário.

O movimento Hippie - o consagrou e - a partir dai, se deu um impulso maior aos cuidados humanitários.

Medicina Ayurvédica, acupuntura, naturismo, amor livre, questionamento das fronteiras políticas, cuidados ambientais, a busca pelo sagrado (sem igrejas - numa conexão direta com o divino - Cristo pregava isso), yoga .. etc ..

Tudo isso com uma boa dose de Sexo, Drogas e Rock and Roll.

Paz e amor - slogan imbatível e incontestável.

Pagamos caro mas a humanidade ganhou em luz.

Os Maias prenunciaram o fim do mundo em 2012 (na real o Maias não dizem isso, apenas termina em 2012 - matematicamente - seu calendário)

Já presenciei outros fins-de-mundo.

... pra mim nunca acabou ...

Dizem o sábios astrólogos que - desta vez - se trata de uma mudança profunda - provocada pelo aumento abrupto da consciência, justificado por algumas configurações planetárias e cósmicas.

Esse fenômeno, por sua vez poderia desestabilizar crenças e conceitos dogmatizados e consagrados.

Isso desestabilizaria crenças e valores norteadores das condutas e comportamentos preconizados.

Sabe-se lá.

Particularmente acho que a adoração ao fim-do-mundo é a busca da indolência e do fim das responsabilidades humanas.

É apenas um bom argumento para jogar a toalha.

Sem mais me alongar - pois estamos no campo do intangível, imponderável, sujeitos a uma avalanche de variáveis sem precedente.

Assunto, aliás, muito difícil de tratar, pois criamos visões relativas onde os universos individuais criam realidades independentes.

Mesmo assim, a busca pela verdade - por mais que doa - é incansável.

Verdades absolutas são maiores que nosso entendimento.

E, usando do o direito “paranifático” de aconselhar:

- Cultuem e questionem suas próprias verdades.

- Não tenham vergonha de mudar de idéia.

- Não temam quando forem criticados pela autenticidade.

- Não se prostituam espiritualmente.

- Acreditem na prosperidade - não pode ser apenas financeira - trata-se da integralidade humana.

- Sejam inteiros, atentos - errem, mas não vacilem.

- Fiquem conectados, mas nunca aprisionados.

Segundo um ditado Tolteca .. “Não acreditem em nada, mas prestem muita atenção”.

Pois bem caríssimos .. uma bela jornada os aguarda.

Espero do fundo de meu coração que, a passagem por esta casa tenha lhes tirado o sono, tenha lhes desacomodado a alma, tenha provocado uma compulsiva curiosidade, tenha lhes mostrado que são muito mais o que sentem do que o que sabem ... e que a "dita" loucura individual é o diferencial que os faz únicos, impares, exemplares, inigualáveis.

É o diferencial competitivo que faz a real diferença.

O jogo tem regras, são regras simples, algumas burras outras perversas, mas .. não é difícil.

Sonhem, construam e materializem essa visão, planejem .. sejam estratégicos .. não percam o foco.

- Mudem seus sonhos sempre que sonharem algo melhor, maior.

- Não desistam por medo ou por vislumbrarem dificuldades.

- Aceitem os desafios .. sempre que eles se justificarem.

Prestem atenção na sabedoria popular e seus ditames.

Tem um que eu gosto muito - é um Provérbio Japonês – trata da atenção - diz assim:

"A gente tropeça sempre nas pequenas pedras, porque as grandes a gente logo enxerga."

Obrigado pelo carinho, pelo respeito, pela paciência, por me ouvirem, por me ensinarem, por fazerem parte da minha Net-Love.

Contem sempre comigo

Beijo na alma.


segunda-feira, 22 de junho de 2009

A arte ritualesca da gastronomia como suporte na fisiologia da digestão
reflexão digestiva com Lúcio Pacheco e Laerte Martins - 20 de junho de 2009

foto: Pablo Alejandro Fabián - 2003
A Gastronomia compreende, mais que uma busca hedonista de estimulo aos prazeres do paladar, um ritual carregado de sabedoria. A ciência do bem comer, se apóia em profundos conhecimentos fisiológicos e psicológicos que, levam a uma melhor digestão e uma maior absorção dos nutrientes envolvidos. Essa é a função do prazer de comer, ou seja .. fazer com que as pessoas comam, se alimentem e se nutram para melhor atender as funções vitais do organismo.
A função da gastronomia consiste em estimular os diversos centros nervosos e provocar as atividades eletroquímicas necessárias para, um relacionamento perfeito, entre nossas necessidades de reabastecimento e o "combustível" que estamos utilizando. A relação pode começar pelo sentido olfativo ou pelo sentido visual, dependendo da situação, e a partir da complexa rede de informações de nosso organismo, algo faz com que iniciemos o processo de salivação. Nesse momento já foi dado o "start" do processo digestivo, antes mesmo de levarmos o alimento a boca.
Justificam-se, na gastronomia, os odores e suas combinações assim como o efeito visual que nos causa um determinado arranjo dos alimentos.
Se o ritual respeitar "os tempos" do organismo, ao colocarmos a comida na boca, já estaremos aptos a digerir, adequadamente, esse alimento. O sistema digestivo é informado previamente e a produção dos sucos gástricos e de outros elementos e funções pertinentes são ativados.
A maior parte das opções da linha "fast-food", além de - na maior parte das vezes - não estar adequada do ponto de vista nutricional, pecam pela impossibilidade da ritualística indispensável para o bom funcionamento digestivo. São extremamente industrializados, carregados de ácidos graxos, açucares complexos e uma excessiva carga de amido, estão contextualizados num cenário de condições adversas às possibilidades de reação do organismo à preparação da receptividade para o alimento. Distúrbios de peso, digestão lenta, pouca elasticidade da pele e cabelos sem vida são alguns dos muitos sintomas da aventura de mal se alimentar.

Reforço o fato de que podemos comer muito mal consumindo, apenas, produtos de primeira, orgânicos e saudáveis. Basta que desrespeitemos nosso organismo, não privilegiando o ritual da refeição.

Particularmente, gosto muito dos "ditos populares", esses que as avós usam para resolver situações. Por exemplo: Em caso de indisposição digestiva, o melhor é não comer até que dê fome. E nesse momento cabe prestar muita atenção tentando descobrir que tipo de fome é. Fome do que? Com o que, meu estômago gostaria de matar essa fome? A resposta a essas perguntas é uma informação vem do próprio organismo e indica o remédio.

Os primeiros rituais gastronômicos, por mais que os franceses proclamem Antoine Careme (1748) como o criador da cozinha francesa e da alta gastronomia e os romanos (500 anos antes de Cristo) produzissem suas orgias gastronômicas, datam do paleolítico e vem desde então aperfeiçoando-se, tanto na culinária - propriamente dita - como na ritualística.

Outro ponto fundamental para a boa alimentação, além da mastigação e conseqüente salivação (que é um tema que requer uma abordagem a parte), está na construção do cenário adequado. O ambiente da refeição faz parte do ritual gastronômico. Analisando do ponto de vista da psicodinâmica das cores, os tons de ocre, alaranjados e amarelos claros, estimulam a produção dos sucos gástricos. Condições ergonometricamente adequadas, luzes quentes e sonoridade confortável - com música (cabe ressaltar que arranjos melódicos são mais adequados que os rítmicos) - contribuem positivamente na construção desse ambiente propício.

A Gastronomia é uma arte complexa que utiliza, entre muitos elementos, um bom prato de comida.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

MOTIVOS

... o vazio ... - 24 de abril de 2005
Queria poder te dizer palavras bonitas
Mas, me faltam palavras...
Queria poder te fazer um carinho
Mas, me faltam motivos...
Queria poder proclamar esta amizade
Mas, me falta a amiga...
Queria poder dizer que foi bom
Mas, me faltam boas lembranças...
Queria poder fazer algum plano contigo
Mas, me falta futuro...
Queria poder rir contigo
Mas, não acho mais graça...
Queria poder conversar
Mas, te faltam palavras...
Queria esquecer que tu existes
Mas, me sobra memória...
Queria pensar que poderia ter sido bom
Mas, não acredito mais nisso...
Queria poder voltar no tempo
Mas, o futuro me espera...




domingo, 25 de janeiro de 2009

Discurso de paraninfo da formatura dos cursos de Jornalismo, Publicidade e Propaganda e Relações Publicas - 2008/2 da faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da UFRGS.

24 de janeiro de 2009

Sras. e Srs presentes, pais, parentes, amigos e simpatizantes
Queridos alunos, Sr. Diretor, Professores, Funcionários
Primeiramente gostaria de dividir com vocês que fiquei curioso (quando convidado) com o sentido original da palavra paraninfo.
E para tal ...
Elevei meu pensamento e invoquei São Google, dei "enter" e ...
Do latím: paraninphu, que veio do grego "paraninphus", formado de - para (junto de), mais - nymphe (noiva).
Desde a Grécia, passando por Roma, era quem protegia o noivo ou a noiva.
O Paraninfo (ou paraninfa) tinha muitas incumbências, entre elas:
Examinar e endossar a pureza da noiva;
Preparar o casamento e o quarto dos noivos (convites, decoração da igreja, festa, bolo, salgadinhos, cortinas, cama, lençol, travesseiros, urinol, etc...) - atributos, popularmente destinados aos Relações Públicas.
Era também incumbência ...
Dormir no quarto ao lado na noite nupcial, para assegurar pronto atendimento no caso de ameaça à integridade física da noiva.
Depois da lua-de-mel, o trabalho continuava:
Contornar eventuais desavenças entre marido e mulher no convívio conjugal.
Ou seja ... ser paraninfo era uma encrenca!
Hoje - Uma Honra - pelo menos pra mim.
Dentre algumas das atuais incumbências, está o discurso.
Particularmente acho discursos muito longos, até chatos, mesmo os mais eloqüentes.
Neste momento, atendendo àqueles que pensam como eu, serei o mais direto possível.
Para cumprir a promessa de ser pontual, vou dividir esta fala em três pontos.
E antes de começar, uma alerta que é baseado num ditado Tolteca, que em síntese diz:
"Não acreditem em nada, mas prestem muita atenção".
o 1º ponto é de ordem pessoal (e peço que me desculpem), se refere à importância que esta instituição tem na minha vida:
Em 1955, inicia-se a minha relação com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul, nessa época não federalizada.
Nesse ano, meu pai Roberto Fabián, arquiteto e urbanista, foi convidado a desenvolver um pós-graduação em urbanismo para a então Faculdade de Arquitetura da URGS. Nessa época moravamos em Buenos Aires e eu tinha dois anos.
Em 1956 viemos de muda para Porto Alegre com toda a família.
Em 1964, minha primogênita irmã Marta, ingressa - via vestibular manuscrito - no curso de Biologia da URGS, onde atualmente é professora associada.
Meu irmão Enrique, em 1968, é aprovado no vestibular de Medicina, também desta casa.
Não cabia nos paradigmas da minha família, a possibilidade de ingressar em algum curso superior que não fosse na URGS.
E dessa forma, na sequência, em 1974 fui aprovado no vestibular para Comunicação Social da Universidade Federal do Rio Grande do Sul - nossa querida Fabico.
Era tão única a opção pela UFRGS que, quando voltei pra casa com a notícia, correndo para contar ao meu pai, (ele estava sentado, lendo um livro e eu entrei orgulhoso, radiante, vitorioso ... anunciando em voz, anunciando em voz alta meu feito) olhou-me por sobre os óculos e num tom de pouca surpresa perguntou: Fizeste vestibular pra rodar?
Em outras palavras me fez perceber que não havia feito nada que não minha obrigação.
Então, um pouco menos inflado, iniciei minha aventura acadêmica tentando entender que curso era esse que eu havia escolhido.
Nessa época eu já me bancava financeiramente trabalhando como fotografo e não foi difícil me identificar com Jornalismo e Publicidade.
Depois de passar pela RBS e Martins&Andrade, fui trabalhar, como fotografo, no Gabinete do então Reitor Homero Só Jobim - pelas mãos da professora, orientadora e amiga Martha Alves de Azevedo e no início de 1977 tornei-me funcionário federal. No fim desse mesmo ano me formei. Não com tanta pompa e cerimônia como vocês, pois distraidamente esquecí de vir a formatura.
Se cabe a um paraninfo dar conselhos, ai vai um:
Nunca digam nunca. Explico ...
Fiz meu curso no tempo estipulado - 4 anos.
E jurei pra mim mesmo que nunca mais voltaria lá.
No entanto ... nunca mais saí.
Em 1978 torne-me professor de foto do Colégio de Aplicação e nos anos seguintes, iniciei minha trajetória didática dentro da Fabico.
Talvez saia neste ano, aposentado.
Obrigado UFRGS, obrigado a todos que me ajudaram e me atrapalharam.
O 2º ponto se refere à nossa missão como comunicadores:
Inicialmente, cabe frisar que comunicação não é fim, e sim meio.
A comunicação é o principal meio de relacionamento e nós temos expertise em relacionamento.
O mundo muda rápido e por caminhos imprevisíveis.
As previsões do filosofo e educador canadense Herbert Marshall McLuhan, que proclamavam a "Aldeia Global" já no inicio dos anos 60 - se cumpriram em parte - o deixaria perplexo, saber que podemos ter uma indústria administrada em São Paulo, com parque fabríl na China, estrutura de logística sediada em Londres, os produtos consumidos na Austrália e na África e o "Din-Din" depositado numa âgencia do Banrisul em Anta Gorda.
De lá pra cá aprendemos a "deletar" amores, "adicionar" amigos, fazer "upgrade" nos conhecimentos, dar e receber "feedbacks", "resetar" processos que engasgam, dar um "Format C" em processos que não deram certo ou dar um "Control-Alt-Del" quando as coisas andam meio travadas ....
Essas mudanças nunca são totalmente digeridas e cabe - a nos "Comunicadores" catalizar esses processos.
Cabe-nos mais...
Cabe-nos olhar para o futuro - e identificar tendências
Cabe-nos exceder nossos limites de entendimento.
Cabe-nos, a todo o momento, quebrar paradigmas
Cabe-nos aprender a julgar menos e entender mais.
Cabe-nos, entender - sempre e nunca esquecer, - que somos pessoas trabalhando para aproximar pessoas.
Cabe-nos ter uma vida digna e prospera, pois lutamos pela dignidade e prosperidade, em todos os níveis que se estende a vida.
Assim como o arquiteto é pautado pelo ambiente e sua luz, nos comunicadores, somos pautados pelas dificuldades humanas de relacionamento. Criamos ambientes e circunstâncias onde a luz circula e a energia entre as pessoas flui.
Infelizmente as instituições de ensino superior e técnico se transformaram em fábricas de desempregados. Não orientamos os alunos a serem empreendedores. Não ensinamos, num cacoete cristão, como ganhar dinheiro. Os professores não falam em orçamentos e valores reais, ... talvez por que não saibam fazê-lo.
Cabe a vocês não ter medo nem culpa de ganhar dinheiro.
E isso, me remete para o 3º ponto, que se refere a nossa missão como seres humanos:
Vou destacar 3 dos muitos pontos que incidem ...
A Qualidade de Vida - que começa pela possibilidade de deitar a cabeça no travesseiro e dormir.
É fala desta casa "O Comportamento Ético" e as demais virtudes humanas.
O inferno é individual, é o contraste entre o que sabemos e o que praticamos.
Valendo-me de referencias bibliográficas: "Bem aventurados os pobres de espírito, deles será o reino do céu" - isso se refere aos ignorantes e incautos, desprovidos de culpa pela falta de conhecimento e referencia.
Vocês - meus queridos - não fazem parte dessa categoria. Vocês sabem - e não existe o "dissaber" assim como, também, não existe essa palavra.
2º aspecto - O amor próprio - Não esqueçam que vocês são seus clientes nº 1 - E se vocês não cuidarem de vocês mesmos, com carinho, atenção e determinação, não terão nenhuma utilidade para quem quer que seja.
Isso não é filosofia ou a pregação de algum iluminado. Isso é ciência. Engenharia de Segurança - e poderão constatar em qualquer vôo doméstico ou internacional, enquanto saboreiam uma deliciosa barra de cereais: "Em caso de despressurização - máscaras iguais a esta cairão a sua frete. Puxem para liberar o ar e blá-blá-blá" e assim por diante e ai ... "caso haja uma criança ou pessoa idosa, coloque primeiramente a máscara e você e depois ajude" ... ou coisa similar.
Preparam-se. Capacitem-se para serem úteis. Amem-se.
Dessa forma o 3º e último aspecto se refere ao poder do amor.
Nova onda nos fala de Net-work. Trata-se de uma rede poderosa de relacionamentos com a finalidade 1ª de oportunizar negócios. Business. " Your job!"
Uma vez uma colega de trabalho, me criticou dizendo: Pablo tu misturas as coisas - trabalho é trabalho - amizade é amizade e amor é amor.
Num impulso impensado, como se meu coração respondesse uníssono com a minha mente - respondi: Não sou eu que misturo, tu és quem separa - é junto - é gente - somos integrais.
E creio que foi nesse momento que eu tive o insight da Net Love - Maior que a Net Work - Net Love. Rede de relacionamentos sinceros, verdadeiros onde a própria Net Work tem seus transitos facilitados.
Se não me engano, os únicos profissionais que falam em algo parecido são os advogados. Eles chamam de affectus societatis e se refere aos motivos (não tangíveis) que incidem nas sociedades e parcerias.
Tem um dito popular, que ao meu entender, peca na interpretação da essência humana:
"Onde se ganha o pão, não se come a carne"
Como acadêmico, sou obrigado a discordar e me agarrar às estatísticas:
75% dos relacionamentos iniciam em ambiente de trabalho ou escolar.
Aliás, não poderia ser diferente, passamos a maior parte do tempo trabalhando ou estudando.
Minha 1ª esposa é dentista e a conheci graças à ditadura militar que não permitia que a Fabico tivesse bar ou qualquer outro lugar de reunião, o que nos obrigava a frequentar o bar da Odonto. Bingo - casei.
A 2ª é Relações Públicas e foi minha aluna na Fabico.
Minha atual companheira é Engenheira Química formada pela PUC - resolvi experimentar outra instituição - esse pessoal da UFRGS se separa muito.
Somos energia e como tal nos relacionamos.
A energia de um sorriso, atrai sorrisos, a energia da indiferença atrai indiferença. Colhemos o que plantamos.
Acreditem que vocês merecem - e construa um futuro próspero e saudável.
O xamã Don Juan, segundo Carlos Castañeda (autor que teve destaque nos anos 70 e 80),
define o medo como o 1º inimigo do homem. Apenas o primeiro de muitos - e muito mais perigosos. Portanto meus amados - já - colegas comunicadores, se sucumbirem ao medo estarão fadados a uma existência medíocre. Não sejam médios.
Já ouviram falar o Alexandre, o Médio?
Tenho certeza que não, esse não entrou para a história.
Não tenham medo
Não tenham medo do mar - tenham cuidado
Não tenham medo de dirigir - tenham prudência
Não tenham medo de ganhar dinheiro - tenham projetos de vida
Não tenham medo de errar - aprendam
Não tenham medo da solidão - amem
Não tenham medo das pessoas - se relacionem
Não tenham medo dos opostos - se associem
Não tenham medo de morrer - vivam com toda a intensidade
Não se acomodem com a dor
Não se acostumem com o insucesso
Briguem, Lutem e Comemorem
Obrigado por me convidarem para ser o Dindo de vocês!
Adorei - Contem sempre comigo ... Boa sorte ... Amo vocês.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Papai Noel existe
reflexão natalina - 24 de dezembro de 2008

Foto: Pablo Fabián - Auto retrato - 1975

Pela primeira vez na minha vida, paro pra fazer uma reflexão natalina.
Na realidade não senti
, nunca, a necessidade de fazê-la.
Desde pequeno o Papai Noel Coca-Cola não convencia.
Era só uma festa com bônus de presentes, gentilezas, comidas gostosas e poucas regras.
Todos faziam um grande esforço para serem felizes e o resultado acabava sendo bom.
Por mais que Santa Cläus aparecesse travestido de garrafa de refrigerante, o resultado positivo nos fazia acreditar que "Deus escreve certo por linhas tortas".
Ou seja: (pensava) Papai Noel existe! - (de um jeito ou de outro).
O tempo de desacretidar nessa alegoria é por volta dos cinco anos de idade, mas eu acabei questionando aos meus cinqüenta e cinco.
A dúvida que me perturba é se eu parei de acreditar nele ou ele em mim.
Com o passar do tempo, o tempo passou.
Minha mãe, articuladora e provedora, aos seus 86 anos, mesmo sem jogar a toalha, precisa ser provida e está desarticulada. A noite de 24 de dezembro é, pra ela, mais uma noite que acaba às 20 horas. Isso a impossibilita de participar de uma atividade que, normalmente, se desenvolve noite a dentro.
Ou seja: alguém ficará com ela na noite dos dingo-béis.
Achei de bom tom, que seja eu.
Meu amado filho, parceiro e amigo se encontra numa jornada aventuresca em terras australiana (o que pra mim é fruto de admiração com uma pitada de tristeza - egoísta minha - por não poder - nesta noite - abraça-lo e presenteá-lo com uma bugiganga qualquer em torno de um esquizofrênico pinheiro nevado a mais de 30ºC).
Frente a essas circunstâncias entendi que o melhor para minha filha-parceirinha, é que passe as atividades natalinas com a mãe (e sua família) onde gozará com primos, avós, tios numa típica imagem festiva e confraternizadora.
Juro do fundo d'alma que isso ainda me revolve os sentidos. Mas é uma opção, ao meu entender, necessária.
Realmente decidir não é escolher, é abrir mão.
Dessa forma dou apoio a minha, super apoiadora, irmã fazer uma prolongação festiva junto à família de seu marido (amado e querido).
Meu irmão, em terras ibéricas, brindará com sua esposa e prole e tentaremos, como sempre fazemos nessas datas, telefonar-nos driblando as linhas congestionadas.
Este ano eu cheguei a duvidar da existência do bom velhinho.
Ao mesmo tempo, não paro de escutar um hô-hô-hô distante, que me sugere que estou ganhando de presente, algo que ninguém poderia me dar: A oportunidade divina de ser o guardião do sono daquela que fez de tudo pra que eu acreditasse.
Feliz Natal pra todos e se encontrarem o Papai Noel entrando pela chaminé, porta ou janela, acreditem que é a concretização do desejo que temos de viver em paz, com amor e harmonia.
Dia 25 almoçaremos em família.
Dingo-bel !

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Fim de Ano
relações com o ano novo - 31 de dezembro de 1991

foto: Pablo Fabián - 2008
Sai do cano
Um sofrimento plano
De uniforme insano
Nas gotas, reflexos passados
Vem o ano
O funil luminoso que encanta
Vem o ano
E ainda do cano
De sofrimento insano
Vemos nas gotas
Os reflexos dos sonhos que ainda não sonhamos.